


Vem curtir o...
EMBALO DESSE SOM!!!

Envolvente, alegre, dançante.
Assim pode-se descrever o Brega Paraense.
Um ritmo popular no norte do Brasil e de características muito particulares, que fazem com que esse estilo musical seja tão marcante, até mesmo para quem não está acostumado com sua sonoridade.
REPORTAGEM & FOTOGRAFIA
Adnes Brena, Everton Santos,
Graziela Ferreira e Wallace Sousa
PACOTE GRÁFICO
Matheus Nery
SUPERVISÃO FINAL
Lorena Esteves e
Monique Igreja
Entre batidas e guitarradas, o Brega agrega muitos traços musicais. Embora sua origem não seja uma pergunta fácil de responder, sua influência é clara: a música romântica. Conhecida e cantada, inicialmente, por Reginaldo Rossi, Bartô Galeno, entre outros intérpretes de fama nacional, que sempre abordavam temas considerados “cafonas”.
Segundo o pesquisador Antônio Maurício Costa, da Universidade Federal do Pará, “o Brega na verdade é uma modalidade nacional do que, a partir dos anos 1970, se propagou como música cafona sentimentalista, romântica, ligadas às ‘dores de corno’, ao gosto popular, dos frequentadores de botequim, etc.”
Mas afinal, qual a diferença entre a música brega nacional, e a regional produzida no Pará? Até a década de 1970 ainda não se produzia brega localmente. É com o surgimento de selos fonográficos como o "Gravason", e posteriormente, a "Rauland Ltda" que o estilo começou a se popularizar e, posteriormente, produzir artistas regionais, principalmente os identificados com o Carimbó e a Guitarrada.
História do Brega
E foi no embalo dessa produção que, a partir de meados da década de 1980, surgem artistas com um estilo não mais identificado apenas com as dores dos dilemas e sofrimentos sentimentais, mas uma música feita para dançar nos bailes (presentes desde a década de 1940 em Belém) com equipamentos sonoros de grande porte. Assim surgiram as chamadas de festas de aparelhagem.
O movimento contou com uma geração de músicos românticos ligados ao Brega Tradicional, que despontaram em meados dos anos 1980 - com destaque para Alípio Martins, Carlos Magno Xavier, o Magno, Frankito Lopes, Juca Medalha, Fernando Belém, Waldo César, Francis Dalva e Ari Santos – obtendo considerável sucesso comercial em terras paraenses, mesmo alguns não sendo naturais do estado do Pará.
![]() | ![]() |
|---|---|
![]() |
Ao final da década o ritmo ficou esquecido pela mídia local, que passou a valorizar ritmos de destaque nacional como o Axé Music. É só a partir de 1995 que o Brega local volta a ter destaque no cenário musical da região norte. O responsável por esse retorno é o cantor e compositor Roberto Villar, com o disco de vinil “A nuvem” que propôs reformulações no ritmo, trazendo junto consigo os músicos: Chimbinha (guitarra), vindo do movimento da Guitarrada, Alex de Carvalho e Tony Brasil (teclados), Junico (bateria), Gilson, Henrique e Charles (contrabaixo).
A fórmula deu certo e ganhou fãs e críticos, que se renderam ao estilo envolvente com letras românticas e batida dançante, responsável por arrastar multidões nas chamadas "casas de show" da capital paraense, como o tão conhecido e frequentado "Mormaço Bar e Arte".



BREGA POP
a cultura brega em ascensão,
em Belém do Pará
O Brega Pop é uma vertente do ritmo que aderiu algumas mudanças mais perceptíveis na sua construção musical, como: aceleração considerável do pitch (ritmo), ousadia e suingue na execução do contrabaixo, a inserção de instrumentos de percussão mais marcantes e, a mais evidente de todas, a inserção de mais guitarras (em sua maioria sob influências musicais do Caribe) transmitindo sensualidade e alegria ao dançar. Essa fase é representada por artistas como: Alberto Moreno, Edilson Moreno, Anormal do Brega e Kim Marques, que começaram a produzir usando esses novos elementos.
Joaquim Farias Marques, mais conhecido como Kim Marques, nascido em Cametá no estado do Pará, sempre teve afinidade com a música e os palcos - paixão herdada do avô, Tiago Marques, que foi maestro. Kim começou a compor suas músicas muito cedo. Aos 14 anos entrou no mundo da música apresentando-se ao lado de bandas da sua cidade. Em 1991, mudou-se para Belém e começou a tocar em bares nos finais de semana. O primeiro CD de Kim foi lançado em 1996, intitulado de “A Dança do Brega”, com mais de 70 mil cópias vendidas.
Kim relembra do início da sua carreira com um carinho aparente: “Primeira música da minha vida, primeira composição. Amor Especial, A Dança do Brega, Sempre Vou Te Amar. Essas músicas todas vieram no início da minha carreira. Eu era um molequinho querendo compor, querendo que a música viesse, que florasse, e as músicas mais importantes da minha vida vieram lá.”

Kim Marques na laje de sua casa
A determinação foi fundamental para que o cantor não desistisse da música: “Eu tomei a decisão mais importante da minha vida quando eu tinha onze anos de idade, eu conto isso para os meus amigos e foi verdade. Eu escolhi a música para minha vida. A música é a minha paixão, é a minha noite, é o meu dia, é meu amanhecer, é tudo. É a música."
Até hoje, o cantor e compositor acredita ter feito a escolha certa ao insistir no sonho de ser artista: “Olha, eu sou partículas, então não é um grande público que me deixa feliz, as pessoas me deixam feliz, cada uma delas. Porque eu entro no palco tranquilo e com o prazer de cantar, mas quando eu chego no palco, que eu passo a olhar pra cada uma das pessoas, e vejo diferentes sensações, diferentes emoções, diferentes gestos de carinho, isso me transforma. Isso faz eu não querer sair do palco mais. ”
Além de sucesso na sua voz, as músicas de Kim sempre foram ouvidas pela voz de outros artistas. Ele afirma ter mais de trezentas composições gravadas. Letras que, desde aquela época, começavam a ganhar uma conotação mais universal. O “equilíbrio” entre as letras leves e o romantismo, aliado ao ritmo alucinante e a qualidade maior nas gravações, foi facilitado pela barateamento das novas tecnologias. O “Brega Pop” conquistou o Pará e as demais regiões do país.
Os embalos de sexta a noite na festa brega



A FESTA BREGA EM BELÉM/PA
‘‘É final de semana, eu não vou ficar à toa, eu vou sair numa boa para a curtição”. O trecho da música “Me libera”, do cantor Nelsinho Rodrigues, traduz o sentimento de jovens e adultos de bairros periféricos da Grande Belém, como Jurunas, Guamá e Cremação. Ao cair da noite, a movimentação nas casas de shows aumenta com a chegada de pessoas dos bairros vizinhos, que estão lá por um mesmo motivo: dançar e cantar Brega.
Na casa de show "Mormaço Bar e Arte", localizada no bairro da Cidade Velha, o esquenta começa pelas esquinas, onde já é possível comprar bebida, o combustível da noite. Grupos de amigos, namorados, famílias e conhecidos também vão chegando e as conversas vão fluindo sobre os mais variados assuntos. Ali, não importa se você é cantor, dançarino, dona de casa, estudante ou jornalista, o que importa é que você vai curtir - se o seu nome estiver na lista, é claro.
![]() | ![]() | ![]() | ![]() |
|---|---|---|---|
![]() | ![]() | ![]() | ![]() |
A preparação dos artista e a animação do público na festa "Meu coração é Brega"
Após a caminhada, o público começa a formar filas para pagar pelos ingressos. Mulheres não pagam até meia-noite. Universitários, às vezes, também não. Os olhos são atingidos por uma variedade intensa de luz e cores. Elas giram em torno das pessoas e deixam pequenos espaços escuros, onde os casais aproveitam pra namorar entre uma música e outra. A fumaça complementa o cenário da casa de shows, que nesse dia tem como tema ‘‘Meu coração é Brega”.
Aos poucos, a pista de dança começa a ser ocupada por pessoas de várias idades, animadas com seus copos cheios de cerveja. Os casais iniciam coreografias no ritmo da música, girando no compasso da batida. O suor que molha as roupas revela corpos, que no jogo de luzes ora são sombras ora são cores.
Algumas horas depois, a expectativa aumenta com o anúncio dos artistas e bandas que vão comandar o show naquela noite. Nelsinho Rodrigues, Banda Fruto Sensual e Banda Xeiro Verde são os responsáveis por animar a festa e relembrar suas canções de sucesso. Composições que vão do Brega Tradicional, até o Tecnobrega e o Tecnomelody, vertentes da música brega que, ao longo do tempo, reinventam o jeito de cantar e dançar o estilo musical.
Os copos de "gelada" continuam completos até a borda, mas as garrafas vão ficando vazias. A fumaça se transforma em neblina e o palco iluminado de verde, vermelho, azul e amarelo, promove uma paleta de cores que ilumina silhuetas em constante movimento.
A madrugada não tem fim. Alguns festeiros estão indo para casa, exaustos. Outros, de espírito mais resistente, resolvem ‘‘emendar’’ a farra, indo para outra casa de show, ou mesmo se reunindo com os amigos em algum bar próximo para retomar as conversas que não puderam ser consumadas na festa, já que a intensidade da música não permitia.
E assim, como um ritual, a festa Brega em Belém termina, mas repete sua trajetória todos os finais de semana. Os bregueiros já pensam no próximo encontro cheio de letras envolventes, batidas melodiosas e recordações marcadas por essas composições. Atender ao chamado do ritmo é o que importa, na pista todos esquecem dos problemas, mas lembram da regra do Tecnobrega, na voz de Valéria Paiva ‘‘Vem curtir o embalo desse som, vem que eu vou te mostrar..."



DO MELODY AO ELETROMELODY
O romantismo das letras e a batida dançante formam a mistura que mexe com as emoções do público. Entre uma música e outra, mensagens que parecem feitas para cada história, de cada pessoa. É assim que se caracteriza o Melody, vertente do brega com batida acelerada, mas com a letra fincada no romantismo.
Letícia Rocha, uma cantora dessa vertente que começou a cantar aos 11 anos, teve muitas inspirações: “Eu cresci escutando Joelma. Mas aí é uma coisa muito louca, porque eu nunca parei pra pensar e dizer assim ‘ah... vou me inspirar em tal artista’. Eu sou muito eclética. Quando eu era criança eu gostava de Celine Dion e Joelma, então pensa nessa mistura, o que vai sair daí, né?”. Além disso, aos 11 anos de idade, Letícia emplacou um sucesso que é pedido pelos fãs em todos os shows.
Caracterizado pelas vozes quase chorosas ou parecidas com voz de criança, o Tecnomelody retrata histórias de amor e paixão, envolvendo inclusive, o cenário de festas como lugar de surgimento desses amores. É a partir de meados dos anos 2000 que essas músicas começam a ser lançadas, inspiradas em temas de bregas do passado, de letras românticas, falando de casos amorosos. As vozes ainda são, preferencialmente, femininas. As linhas melódicas mais elaboradas e o andamento um pouco mais lento, favorecem a maior aproximação dos dançarinos nas festas de aparelhagem ou shows de artistas e bandas.
Em Belém, essas músicas tocam até hoje nas rádios populares, nas festas de aparelhagens, casas de shows e festas particulares, principalmente na periferia. Muita gente se identifica com a letras dessas músicas, especialmente os jovens que tiveram seus primeiros amores da adolescência embalados por essas canções.




NOVAS BATIDAS
Do “Açaí Machine”, sua primeira banda, ao “Reis do Eletro”, o grupo atual. De rodie (pessoa responsável por carregar os equipamentos musicais) a produtor de música. A trajetória artística de Marcos Maderito foi trilhada de forma versátil. Foi na banda “Bundas” que Maderito iniciou sua participação nas chamadas "equipes de brega", nomes dados aos grupos desse estilo musical.
Com a participação na "Gang do Eletro", ele ganhou nome e subiu ao palco cantando novos ritmos do brega, junto com outros cantores e produtores do meio, como Tony Brasil, Dj Miller, DJ Waldo Squash, William Love, Keyla Gentil, DJ Moisés, Joey, DJ Netinho Isabelense. O ritmo abrangeu todas as camadas sociais, como explica Maderito: “A própria Gang do Eletro quebrou barreiras, tanto da A, da B, da C e vai embora”. A banda representou a região norte nas Olímpiadas de 2016 no Rio de janeiro, um gás que ajudou o ritmo a decolar.
O brega já revelou nacionalmente nomes como Fafá de Belém, Banda Calypso, Gaby Amarantos e agora dá ênfase às batidas eletrônicas e letras do eletromelody, principal ritmo da Gang do Eletro. O nome da banda tem uma história bem curiosa.
Nome e estilo definidos, a dupla sentiu a necessidade de ter uma voz feminina no grupo. Após participações em alguns eventos, eles decidiram convidar a cantora Keyla Gentil para o novo projeto, e apesar de participar do cenário musical desde 2008, o grupo foi lançado oficialmente em 2010, com os quatro integrantes, no festival de música "Se Rasgum", em Belém.
Desse momento em diante, o grupo conquistou reconhecimento se apresentando em diversos lugares do mundo. Com sua turnê pela Europa, tocaram no Festival Global Copenhagen, na Dinamarca e Rencontres Trans Muicales, de Rennes na França. Receberam premiações como o Trófeu de Melhor Show no prêmio Multishow, com quem dividiram com Caetano Veloso e foram classificados pelo Jornal “O Globo”, em dezembro de 2010, como um dos 10 mais importantes álbuns do ano, algo interessante, pois a banda ainda não tinha lançado seu álbum.



FESTA NA RUA
Como uma boa marca do estilo musical, a rua não poderia ficar de fora, e foi nela que Maderito organizou uma festa de aparelhagem, com direito a DJ e participações especiais de artistas paraenses, como Preto Michel, um grande rapper da cidade e Letícia Rocha, inicialmente cantora de tecnobrega mas que agora participa do novo projeto dos "Reis do Eletro", a convite dos cantores.
O romantismo das letras e a batida dançante formam a mistura que mexe com as emoções do público. Entre uma música e outra, mensagens que parecem feitas para cada história, de cada pessoa. É assim que se caracteriza o Melody, vertente do brega com batida acelerada, mas com a letra fincada no romantismo. Letícia Rocha, que participou da festa promovida por Maderito, começou com, apenas, 11 anos de idade. Uma criança em meio a um universo de corações apaixonados com gingado frenético.
![]() | ![]() | ![]() | ![]() |
|---|
Esse tipo de festa, é comum na periferia da cidade, as pessoas passam a noite inteira e algumas vezes o final de semana curtindo o som. A festa tem início no anoitecer, a vizinhança começa a chegar e os famosos carros de som aumentam o volume da música. É impossível ficar parado e as pessoas começam a curtir o embalo do som sentadas em volta de uma mesa, ou em pé no movimento frenético que a melodia pede. Mas três coisas nunca faltam em qualquer festa brega: Os amigos, os copos de bebida, e o amor pelo ritmo.















