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O Goeldi e a Crise

  • 11 de dez. de 2017
  • 4 min de leitura

Como o maior produtor de conhecimento científico sobre a Amazônia foi afetado pela crise de 2017

O Museu Emílio Goeldi há mais de 150 anos é referência em pesquisa e atua em atividades como os estudos científicos dos sistemas naturais e socioculturais da Amazônia. O Museu conta com o Parque Zoobotânico, localizado no centro de Belém, com o Campus de Pesquisa e a Estação Científica Ferreira Pena. Desde sua fundação, o Goeldi tem sido de suma importância para o crescimento científico para o Brasil e para o mundo.


Apesar de suas contribuições, o Museu Emílio Goeldi sofreu um corte de verbas que quase resultou em seu fechamento. No entanto, foram organizados movimentos afim de manter suas portas abertas, a exemplo do Movimento SOS Museu Goeldi. Porém, o Museu ainda sofre com um orçamento insuficiente diante de todas as suas despesas mas agora eles estão cientes do apoio da população.


A Crise


A crise política no Brasil chegou no meio científico. O corte de verbas que o Museu teve em 2017 foi o maior nos últimos 12 anos. Esse investimento vem sendo reduzido desde 2014, quando foi estipulado um corte no orçamento de 25% no ano seguinte. O corte de verbas só aumentou e chegou a 44% em 2017.


A instabilidade segue no país e com isso a situação do Museu continua preocupante. Mesmo com a liberação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC) de 3 milhões no ano passado após um pronunciamento do presidente Michel Temer, que disse que era inadmissível o fechamento do Museu. Mas mesmo com a doação, em 2018 ainda são esperados novos cortes de verbas.


Sobre o futuro do Museu, Nilson Gabas Jr., diretor do Museu, relata que existem propostas de lei orçamentária anual, se ela for efetivada, o museu receberá 12 milhões mas ainda assim é esperada um contingência de verba pois a crise política prossegue afetando a economia do país e mais uma vez a instituição se vê na margem da incerteza dos rumos que terão neste ano.


O corte de gastos abala a produção científica do Museu


O Museu Emílio Goeldi não possui apenas o Parque Zoobotânico, ele dispõe também da Estação Científica Ferreira Pena, fundada em 1993 e localizada na Floresta Nacional de Caxiuanã. A Estação Científica realiza estudos ligados principalmente à biodiversidade amazônica, tais estudos pretendem conhecer e monitorar a fauna e flora da Amazônia. Também são realizadas ações sociais, ações voltadas para educação ambiental, cursos de campo para alunos de graduação e pós-graduação, além de treinamentos de extensão rural para moradores de Caxiuanã.


No total, o Museu Goeldi conta com 4 coordenações de pesquisa, que além de realizar estudos direcionados à biodiversidade, também realiza trabalhos voltados à área da sociodiversidade, como o centro de documentação de línguas e culturas indígenas, e à área de socioeconomia que busca entender um pouco as populações ribeirinhas e os movimentos migratórios na Amazônia. O Museu conta ainda com um grupo voltado para estudos marítimos.


Dessa forma, é notável a colaboração da Estação Científica Ferreira Pena para o avanço do conhecimento científico sobre a Amazônia, sendo esse conhecimento importante não só para a população local como para o Brasil inteiro. No entanto, com o corte de verbas ocorrido, grande parte da produção da Estação Científica ficou comprometida. “As expedições para Caxiuanã eram realizadas duas vezes ao mês; com o contingenciamento de verbas, as expedições foram reduzidas apenas para uma ao mês” afirmou Nilson.


Segundo Nilson, o orçamento atual destinado ao museu ainda não é suficiente para a manutenção tanto das pesquisas quanto do parque zoobotânico. Até o fim do ano, o Museu estará funcionando com dois terços de sua capacidade. “Atualmente, nós temos um contingente de 230 servidores, existindo uma grande possibilidade de diminuição desse número, indo até 200 no máximo, isso incluindo todos os funcionários, pesquisadores, analistas, assistentes de pesquisa, técnicos. Ou seja, esse contingente de funcionários é muito pouco em relação à missão que o instituto tem para conhecimento” esclareceu o diretor.


Movimento SOS e a população


O SOS Museu Goeldi é um movimento espontâneo que surgiu após um pronunciamento do diretor do Museu, Nilson Gabas Jr, no qual ele anunciou a possibilidade de fechamento de duas bases físicas do Museu: o Parque Zoobotânico e a Estação Científica Ferreira Pena. A repercussão de tal notícia tomou conta das redes sociais em questão de poucos dias e gerou uma movimentação nacional e internacional. A partir disso, foi organizada uma mobilização geral em prol do Museu Emilio Goeldi.


A comoção gerada na população devido à ameaça de fechamento possibilitou, na manhã do dia 17 de setembro, um abração coletivo que reuniu milhares de pessoas em volta do Museu. “Eu frequento o Museu desde quando eu era criança e até hoje eu guardo lembranças desse lugar e espero que um dia eu possa criar novas memórias no futuro com meus filhos”, declarou a estudante Luiza Barbosa. A fim de reunir ainda mais pessoas, foram realizados outros eventos como oficinas no Museu.


Devido ao grande destaque do movimento, o Ministro Helder Barbalho colocou em questão o corte de verbas do Museu com o Presidente Michel Temer e possibilitou a liberação de recursos para o Museu. Entretanto, a previsão orçamentária continua preocupante para 2018 devido ao grande contingenciamento de verbas e o alto número de despesas. Outro contribuinte para que o Museu mantivesse suas portas abertas foi o Instituto Peabiru que é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). A parceria entre Peabiru e Museu foi estabelecida para a realização da celebração dos 150 anos do Museu e possibilitou a captação de recursos em benefício do Museu.

O Museu Emílio Goeldi é imprescindível para a geração de conhecimento, não só para população local como também para o resto do país, principalmente porque os resultados das pesquisas realizadas são transformados em Inovação ou em algo que possa ajudar na boa elaboração de políticas públicas. Dessa forma, realizar tal corte de verbas em um instituto que gera tantos benefícios para o Brasil é um sinal do total descaso do governo com a produção de conhecimento científico, o que não pode ser tolerado pela população.


 
 
 

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