Que palhaçada é essa?
- 20 de nov. de 2017
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Realizada em muitos hospitais no país, a terapia com palhaços tem ajudado no tratamento de crianças em hospitais

O que antes era só um motivo de descontração de pacientes, hoje virou coisa séria. O trabalho que palhaços realizam em clínicas e hospitais hoje tem nome. A palhaçoterapia é um programa terapêutico em que atores e profissionais da saúde, especializados na área, contribuem para o tratamento de crianças e adultos internalizados por meio de técnicas como contação de histórias, brincadeiras, diálogos e humor.

O médico Patch Adams é considerado o primeiro palhaço de hospital. Ele começou a atuar na década de 70 e ganhou destaque por criar uma relação próxima entre o médico-paciente. Hoje inspira muitas pessoas pelo mundo inteiro. Representado pelo filme “Patch Adams - O amor é contagioso”, estrelado por Robin Williams, o filme mostra a história real de como Patch decidiu tratar seus pacientes com mais alegria.
Um exemplo de trabalho envolvendo a palhaçoterapia é a “Trupe Palhaços Curativos”, um projeto solidário criado em 2015 que envolve música, dança e palhaçada a partir da interação com as crianças, acompanhantes e profissionais da saúde. Hoje, o projeto conta com 25 membros que, além de irem aos hospitais, vão às ruas de Belém levando alimentos doados às pessoas em situação de rua.
De acordo com a idealizadora do projeto, Isadora Lourenço, a ideia surgiu para suprir carência na acessibilidade cultural das pessoas hospitalizadas. “Acreditei que como professora de Arte, poderia proporcionar a presença do teatro dentro desses ambientes”, disse a atriz.

A estudante de Publicidade, Jordana Lourenço, é uma das integrantes do grupo. Para ela, a arte circense transforma vidas. “A gente percebe que quando a gente chega em casa, o trabalho nos transformou mais do que eles. Não sei se o que faço é solidário. Não sei se consigo transformar as vidas dessas crianças, tanto quanto espero que transforme. Mas isso me traz luz, me faz ser uma pessoa melhor e acho que elas estão sendo mais solidárias a mim do que eu a elas”, afirma.
Essa felicidade não contagia só os pacientes. A família dessas pessoas também é beneficiada. Para Daniela Barbosa mãe do Pablo Lima, de 7 anos, vítima de um acidente de moto, a palhaçoterapia tem sido fundamental na recuperação do garoto. “Eu fico muito feliz. Dá para ver que ele está ficando bem. Está ajudando ele a ficar mais alegre, porque ele é muito estressado eu sou igualzinha a ele. E aqui o ambiente estressa muito as crianças, e a gente também.” disse.
Estudos realizados em 2011 pelo Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), em João Pessoa, constataram que crianças e adolescentes entre 3 e 17 anos internadas no setor de doenças infecciosas e na ala pediátrica, tiveram melhoras no tratamento após a palhaçoterapia. Segundo a pesquisa, mais da metade das crianças apontaram que a figura do palhaço causava melhora no humor, enquanto 34,5% mantiveram-se estáveis e 8% afirmaram que o humor piorou após a intervenção.
Como resultado, observou-se que a atividade contribuiu para uma significativa melhora dos pacientes e para sua recuperação. Ainda assim são necessários futuros testes para comprovar a influência da palhaçoterapia no estado emocional e as queixas de dor.












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