top of page

Campus da UFPA sofre com a falta de acessibilidade

  • 22 de jan. de 2018
  • 2 min de leitura

Calçadas quebradas e passarelas desniveladas impedem a locomoção de pessoas com deficiência na cidade universitária

Transitar pelas alocações da Universidade Federal do Pará (UFPA), no bairro do Guamá, em Belém, não é tarefa fácil. Para as pessoas com deficiência física é ainda mais difícil. Além dos problemas climáticos regionais, que já dificultam a vida de quem precisa se locomover a pé pelo campus, algumas calçadas da instituição não oferecem condições mínimas de mobilidade.


Passarelas desniveladas, sem sinalização adequada, quebradas ou ocupadas por entulhos e carros, são comuns ao longo dos quilômetros da cidade universitária. Toda essa situação já foi responsável por alguns acidentes no interior do campus, como o ocorrido com a estudante Gisele Vidal do curso de fisioterapia. A discente conta que chegou a tropeçar em um dos buracos da calçada que leva para o prédio onde estuda, no quarto portão. Ela relata que chegou a machucar o pé com o impacto, e a sandália a quebrar.

A empregada doméstica Marisa Ribeiro, que frequentemente utiliza os serviços médicos oferecidos pela instituição, também reclama dos problemas de mobilidade e do calçamento. “Eu, que tenho um filho com paralisia, não consigo empurrar a cadeira de rodas dele pelas calçadas que dão acesso à saída do campus, tenho que esperar o ônibus circular ou caminhar pela pista, me arriscando entre os carros. E eu moro em frente à universidade, no quarto portão", afirma.


A responsável pela manutenção e construção das calçadas é a Diretoria de Infraestrutura (DINFRA), comandada pelo engenheiro ambiental Adnilson Igor Martins da Silva. De acordo com ele, a DINFRA e a prefeitura fazem o possível para dar conta da demanda de problemas estruturais da universidade. Ele explicou que as calçadas, que não passaram por uma reforma a muito tempo, são problemas que precisam ser resolvidos, mas, pela falta de recursos, priorizam-se as obras com necessidade de resolução imediata, como falta de água e obstrução de esgotos, por exemplo.


A DINFRA atua em parceria com empresas terceirizadas que prestam o serviço de manutenção de acordo com a demanda, como explicou a também engenheira sanitarista Jaqueline dos Santos. “Nós fazemos o levantamento e a empresa executa”.

Além de falta de recursos humanos e financeiros, a burocracia institucional é outro fator retardatário. Toda obra passa por vários processos que demoram meses ou até anos e, ao final desses processos, muita coisa é alterada. Normas de construção arquitetônica da ABNT são alteradas ou publicadas durante o processo. Isso gera modificações e adequações no projeto inicial, encarecendo e atrasando a obra. Assim, o planejamento financeiro do início não é mais suficiente para dar conta do novo projeto, fazendo com que os projetos fiquem engavetados.


Algumas construções inauguradas recentemente, ou em iminente inauguração, não possuem calçadas, como o prédio de Química, localizado atrás da prefeitura, no primeiro portão. Segundo o coordenador de projetos e obras, o engenheiro e arquiteto José Coutinho do Carmo Filho, isso acontece porque os projetos prediais são realizados independentes dos projetos urbanísticos. E completou: “a Universidade é reflexo de um país sem planejamento”.


Os problemas relatados nessa reportagem parecem que não serão resolvidos tão cedo, já que a universidade passa por uma grave crise orçamentária (34% da verba destinada à UFPA pelo MEC foram cortadas). A reitoria da universidade informou, por meio da prefeitura multicampi, que está trabalhando para resolver estes problemas.


 
 
 

Comentários


Confira também...
Posts Recentes
Arquivo

© 2018 por Agência Jr. Espiaqui | Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page