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Educadança

  • 5 de fev. de 2018
  • 3 min de leitura

Como um projeto universitário utiliza a dança como forma de terapia e produção de conhecimento

A iniciativa começou em janeiro de 2014, a partir de um projeto de pesquisa chamado "Escola, Dança e Educação", que foi inspirado numa disciplina do curso de Licenciatura em Dança que possui o mesmo nome. Em agosto do mesmo ano, surgiu o projeto de extensão “Escola, Dança e Educação”, que integrou as ações extensionistas às ações de pesquisa, e que em janeiro de 2017 se renovou e foi renomeado como “Educadança”.


Por conta da frequente negligência nas diretrizes curriculares escolares quanto às formas de arte, o projeto busca promover um olhar diferenciado sobre o que é a dança. A equipe do Educadança realiza, então, atividades e debates que possam incluir as realidades e vivências dos próprios alunos no mundo da dança.

“A gente não ensina uma dança específica. A gente tenta trabalhar essa dança que move o corpo, através de alguns conteúdos que a gente entende como sendo macros, ou seja, conteúdos que são necessários para qualquer estilo de dança para que cada corpo desenvolva a sua maneira peculiar de dançar”, explica a professora Luiza Monteiro, coordenadora do projeto.


O projeto atua com circulações, que são visitas às escolas que aceitam participar do projeto. São executados três tipos de atividades, cada uma com o tempo estimado de 50 minutos, focadas no envolvimento dos adolescentes com o mundo da dança. Cada circulação necessita de duas horas e meia para ser considerada efetiva.


Como as ações são feitas principalmente com estudantes do ensino médio, muitas escolas recusam a entrada do Educadança pois os alunos estão se preparando para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). “Não precisamos de quase nada. O que a gente precisa mesmo, e que talvez na nossa sociedade contemporânea seja mais caro, é o tempo. Por isso demora tanto a resposta de uma escola. A gente precisa de uma manhã inteira ou uma tarde inteira pra fazer as atividades. Tem a nossa chegada, a socialização, recepção dos alunos e vai até a finalização, onde nós fazemos a sondagem do que foi a prática da dança pra eles”, afirma.


A ação se divide em três fases. Na primeira, há um reconhecimento dos alunos. É perguntado a eles o que sabem sobre dança e eles respondem por meio de papéis. Em seguida, os jovens experimentam uma aula prática de dança, ministradas pelos próprios bolsistas e voluntários do projeto. Após esse momento, a turma é convidada para assistir e analisar as apresentações de dança dos participantes do projeto.


Mesmo com dificuldades encontradas nos locais, como a ausência de um lugar próprio para a prática da dança - como salas maiores e anfiteatros - , o Educadança é bem recebido pelos alunos e funcionários. De acordo com Larissa Chaves, bolsista do projeto, o trabalho é feito gradativamente e prova disso é ver a mudança comportamental dos estudantes.

“Os alunos chegam muito desconfiados pra fazer a dinâmica com a gente e não é culpa deles, porque a nossa sociedade impõe um afastamento da questão da motricidade do corpo. Um corpo bom é aquele que sabe responder questão, é aquele que tira nota boa no ENEM. Então, quando a gente vem com dinâmicas que não têm nada a ver com sentar numa cadeira , escrever num papel e ficar horas copiando de um quadro, eles estranham. Nós conversamos com eles e aos poucos vamos ganhando a confiança deles”, a bolsista explica.


Lúcia Letícia, bolsista do Educadança, destaca que a troca de experiência com os alunos do ensino médio é o ponto chave na execução do trabalho e também na vida profissional dos futuros licenciados em dança. “Nós fomentamos o nosso conhecimento em dança e socializamos com os alunos a partir do que eles trazem para a gente. Nós não levamos conhecimento absoluto. Nós trocamos com eles”, declara.


 
 
 

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